Durante a crise pandémica - que ainda não acabou totalmente
- o setor do imobiliário resistiu e, apesar de alguns abanões, manteve-se
dinâmico. Passada a pior parte, o Nascer do SOL tentou perceber como está o
dinamismo neste mercado no país e quais são as perspetivas para este ano.
Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal, fala em «muito
dinamismo» no mercado nacional nestes primeiros cinco meses do ano, o que
representou um aumento de 21% no volume de negócios, «não obstante a conjuntura
relativamente recente de subida de inflação e de instabilidade nas relações
internacionais causada pelo conflito na Ucrânia, iniciado em finais de
fevereiro». Mas acrescenta que nos últimos três meses - março, abril e maio - a
rede registou um aumento de 6% na venda de habitações - um novo recorde para
este período.
«No entanto, este dinamismo não foi igual em todos os
concelhos e distritos do país, como nunca o foi», começa por explicar. Assim,
«face aos mesmos cinco meses de 2021, registámos crescimentos de menor
importância no concelho de Lisboa (13,4% em volume de negócios), mas muito
fortes nos concelhos de Cascais (37,4%) e Sintra (35,6%), todos pertencentes ao
distrito de Lisboa». Já nas regiões autónomas, o dinamismo tem sido «igualmente
muito significativo (35,8%), em contraste com a região onde o crescimento tem
sido mais dificultado, concretamente a região da margem sul de Lisboa, o
distrito de Setúbal, com pouco mais de 2%». Na zona do grande Porto foi
registado «um bom crescimento» mas inferior à média nacional ao passo que no
Algarve o incremento foi de 31%, no Alentejo, ainda maior, 34%. «Os distritos
centrais do país registaram aumentos em redor dos 30%, acima dos distritos do
Norte de Portugal em que registámos 25%», acrescenta Beatriz Rubio.
E as perspetivas?
Beatriz Rubio diz que as perspetivas de vendas «são bastante
positivas». E acrescenta que, apesar de existir algumas incerteza no mercado
«provocada pela subida da inflação (e consequentemente das taxas de juro), mas
esse impacto não será significativo nas vendas e atividade da marca, pois todos
os sinais apontam para que essa subida não altere grandemente o ritmo de
vendas, quando muito o ritmo de crescimento dos preços dos imóveis».
As novas regras
Desde o passado mês de abril que existem novas regras para
quem está a pensar pedir um crédito à habitação: quem tem entre 30 a 35 anos só
pode pedir financiamento a um prazo máximo de 37 anos, já para quem tem mais de
35 anos, o limite à maturidade encolhe para 35 anos.
Mas será que estas novas regras afetam quem quer comprar
casa? «Não acreditamos que as restrições ao crédito à habitação sejam um
entrave relativamente à aquisição de imóveis», começa por defender Rui Torgal
que acredita que «as restrições visam proteger os clientes ao invés de os
condicionar». E refere: «Os bancos adotaram estas medidas para que o crédito
tivesse condições mais seguras para as famílias. A verdade é que temos
observado que as famílias portuguesas se têm conseguido ajustar, adaptando o
valor de compra do imóvel ao valor da prestação que conseguem pagar».
A CEO da Remax Portugal não tem dúvidas que mais restrições
em relação ao crédito à habitação «têm, naturalmente, impacto na procura, pois
algumas famílias poderão repensar a aquisição, adiá-la ou reformular a própria
localização e tipologia pretendida». E diz que é preciso não esquecer que
existem muitas variáveis que, pelo contrário, reforçam a procura: «A imprescindível
disponibilidade dos bancos em concederem crédito, os volumes elevados de
poupança das famílias originados pela pandemia ou própria tendência para
aumento do volume de investimento tanto nacional como estrangeiro»,
reconhecendo que este mercado tem vindo «a ser pautado por uma enorme escassez
de oferta, tanto em número como em diversidade, limitando cada vez mais a
seleção e escolha», daí admitir que algumas famílias podem ficar reticentes com
a subida generalizada dos preços e não avançarem já para a compra de uma casa,
como também até «pode beneficiar algumas outras que já tomaram essa decisão e
por saberem que os preços não descerão e que a oferta não vai aumentar preferem
reajustar o orçamento familiar».
Pode consultar o artigo na integra aqui
Fonte: SOL

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